O Saber, Rascunho De Um Poema Velho

O Saber

Porque por vezes a inspiração surge-nos de forma inesperada, há uns largos anos atrás peguei numa folha, acima partilhada, e escrevi quase de uma assentada um poema. Podem lê-lo mais claramente, ou não, de seguida:

Não sabes o que dizes
Com essa tua boca rasgada
Por mentiras juradas
A pés juntos esfolados
Pelas rugas derradeiras
De quem ignora sentimentos
E destrói os corpos caídos
A seu lado nos passeios
Dos velhos esquecidos
De bocas bem cheias
E tiros certeiros
Nas mentes perdidas
Facilmente atingidas
Pelo verbo perfeito
Mas vontades imperfeitas
Dos homens surdos
E de ouvidos tapados
Dedos enfiados
Bem fundo nos buracos
Das vidas vazias
Vividas entupidas
Por bocas caladas
Olhos fechados
E pulmões cedidos
Aos prazeres languidos
Dos lábios vermelhos
Saliva impregnada
De horrores lambidos
E feridas infectadas
Por pesadelos nocturnos
Em dias plenos
De sortes confusas
Das palavras unidas
Ao acaso matreiro
Maldade absoluta
Nas palavras suspiradas
Desculpas esfarrapadas
E ao meu ouvido atiradas
Não sabes o que dizes.

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Filed under Poesia, Português

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