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Opinião: Claraboia de José Saramago

500_claraboia_caminho_portugalClaraboia é o primeiro e único livro póstumo de José Saramago, editado em 2011. Trata-se na realidade no segundo livro escrito pelo autor, ainda na década de 1940, mas que, após o enviar para a editora, não obteve resposta. Quatro décadas passadas, quando Saramago começou a ganhar popularidade, essa mesma editora contactou o autor para o lançamento do livro que Saramago então recusou, não permitindo a sua edição em vida, deixando o critério da edição para a família.

São desconhecidas as razões que o levaram a recusar, mas quer tenha sido por ressentimento, quer tenha sido por já não se identificar com a obra em si, ambas fazem sentido. Foquemo-nos na segunda, é um livro estranho no mundo de Saramago, possui diálogos devidamente identificados, possui parágrafos, possui tudo aquilo que nos ensinaram nas aulas de Português, mas a verdade é que não possui Saramago. Minto, a semente que décadas mais tarde iria florescer no Saramago que o mundo conhece está presente, há neste livro um primeiro passo, uma meditação sobre temas que mais tarde o autor iria aprofundar de forma muito mais pujante.

A história é muito simples e de fácil leitura e centra-se na vida de um prédio humilde de Lisboa na década de 1950, em que as histórias das famílias que lá vivem se misturam, o sapateiro que observa as pessoas à janela no rés-do-chão e que, com a sua esposa, alugam um quarto a um caixeiro viajante; há as irmãs solteiras com segredos escritos em diários que vivem com a mãe e a tia; a galega que deseja abandonar o marido e levar-lhe o filho; e há Lídia, a amante de um homem que, por sua influência, dará trabalho à filha do casal do segundo andar.

É um livro que conta episódios sem início e sem fim, é um dia-a-dia num prédio onde a história acontece e acontecerá após a última página, tal como a vida que vemos diante dos olhos.

Nota: 3/5

Link GoodReads.

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Opinião: Memorial Do Convento

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O Memorial Do Convento é um dos livros mais marcantes e populares da obra de José Saramago e um daqueles que, até agora, não tinha lido. Nele Saramago volta a misturar de forma extremamente hábil a história factual de Portugal com história de ficção, neste caso história sobrenatural.

D. João V, no início do século XVIII, promete, após meses de falhadas consumações, construir convento se lhe nascer filho. E assim foi, após engravidada D. Maria Ana Josefa, mero instrumento para que houvesse sucessão do trono, D. João V manda erguer um convento de enormes dimensões em Mafra. Baltasar Sete-Sóis era um soldado que regressava da guerra maneta e no dia em que chega a Lisboa conhece Blimunda Sete-Luas uma rapariga que via a mãe na fogueira da Inquisição por alegada bruxaria. Acabam por ser casados em segredo e contra as ideias da Igreja pelo Padre Bartolomeu Lourenço de Gosmão com que partilham uma amizade profunda.

É então que se descobre que Blimunda consegue ver para além da carne e da terra quando está em jejum, facto que a fez prometer nunca olhar para Baltasar sem quebrar o jejum primeiro. Ela consegue assim ver doenças nas pessoas, fontes de água no subsolo, uma virtude macabra muitas vezes. Ao partilhar esta informação com o Padre Bartolomeu este convence-a a procurar as vontades perdidas das pessoas que encontre pela rua pois ele acredita que é essa a chave para a construção do seu projecto: a Passarola, a primeira aeronave no mundo a efectuar um voo.

Enquanto isto o Convento de Mafra começou a ser construído e os três mudaram-se para lá próximo enquanto continuavam a trabalhar no projecto da Passarola, após um voo triunfal o Padre Bartolomeu desapareceu e Baltasar e Blimunda esconderam e cuidaram da estrutura da aeronava aguardando o regresso do Padre amigo. Baltasar começou a trabalhar, mesmo maneta, na construção do convento, obra grandiosa  e de grande custo financeiro e físico, com homens e animais a perderem a vida em troca da enormidade das suas paredes.

É com mestria que, mais uma vez, Saramago nos confunde o que é real e imaginado, entrelaçando os dados históricos com uma história de amizade, rebeldia, sacrifício e, no final de todas as contas e colocada a última pedra, de puro amor.

Nota: 4/5

GoodReads Link.

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Opinião: Caim de José Saramago

Digitalizar0001Romance publicado em 2009, neste “Caim” a fluidez da história sem grandes rodeios e o levantamento de questões universais típicas do autor tornam este livro numa das mais fáceis leituras de José Saramago.

A religião e a figura de Deus sempre estiveram presentes, directa ou indirectamente, na obra de Saramago e têm sido muitas vezes o veículo para o pensamento e discussão a que o autor se propõe. Este “Caim” é dos mais directos confrontos que o Saramago tem com Deus mas nunca chega ao génio do discurso d’”O Envangelho Segundo Jesus Cristo“.

Para ler num ápice e continuar a descobrir toda a obra de Saramago.

Nota: 4/5

Goodreads link.

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